<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1849608087029802002</id><updated>2011-04-21T18:05:59.101Z</updated><title type='text'>S&amp;A</title><subtitle type='html'>fazer, fazer enquanto apetecer</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://com-mentatemplate.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1849608087029802002/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://com-mentatemplate.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Erecteu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15619661863209832197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_aScwqnpZJuw/ReGsxmSAqoI/AAAAAAAAAd0/MhhzSZXqIHs/s400/mind.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1849608087029802002.post-8025736902052397247</id><published>2006-11-20T19:54:00.000Z</published><updated>2006-11-20T20:00:55.214Z</updated><title type='text'>3. O mundo erótico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota prévia: Ía isto tão mansamente, logo teve que qparecer aqui a Maria a molhar a Bolachinha no leite! Vá XÔ vão-se embora. Renovo que isto é um documento de reflexão pessoal. Se quiserem comentar todo o cuidado é pouco, coloquem ou não, a camisinha, ou o diafragma, tá?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Murray Davis, utilizando os conceitos da fenomenologia de Alfred Schutz 9, introduz o conceito de realidade vital, em particular a distin&amp;shy;ção entre a realidade quotidiana, ou seja, aquela que vivemos todos os dias, e a realidade erótica, na qual temos de entrar para vivermos ero&amp;shy;ticamente. Nas relações de trabalho ou no desporto, quando estamos empenhados numa actividade que nos absorve, encontramo-nos fora do mundo erótico. Só entramos nele no momento em que lemos um livro erótico, ou vemos um filme, ou iniciamos uma experiência eróti&amp;shy;ca. Se bem que seja muito fácil deslizarmos de um mundo para outro, em termos fenomenológicos trata-se duma passagem radical.&lt;br /&gt;O mundo erótico é um mundo distinto que não somente tem sen&amp;shy;sações e linguagem próprias, mas é também um mundo em que to&amp;shy;das as coisas mudam de significado e tonalidade. O nosso horizon&amp;shy;te restringe-se, centrando-se no corpo ou nalguns dos seus aspectos eróticos, e esquecemo-nos dos deveres quotidianos e das aflições, ab&amp;shy;sorvidos por este novo interesse. Murray Davis observa que frequen&amp;shy;temente os prisioneiros tentam ficar mergulhados nas fantasias eróti&amp;shy;cas o máximo de tempo possível, sendo estas um dos raros paliativos contra a angústia das grades e da lentíssima passagem das horas. Chamamos erótico a um género literário ou cinematográfico porque nos dá acesso ao mundo erótico. Trata-se de um acesso que a linguagem científica não proporciona.&lt;br /&gt;Detenhamo-nos por um instante na diferença entre a análise de Murray Davis e a de Bataille. Afirma Bataille que o erotismo é uma saída agressiva e brutal da vida quotidiana, a ruptura dum tabu. Murray Davis diz-nos que se trata apenas da passagem dum campo fenomenológico para outro. E, ao lermos o livro dele, parece-nos que esta passa&amp;shy;gem se realiza de uma maneira pacífica. É provável que ambos tenham razão. Há casos em que a passagem é abrupta, traumática. Por exem&amp;shy;plo, alguém que vê um filme pornográfico hard core pela primeira vez fica excitado e desconcertado. A mesma coisa acontece a um homem que, pela primeira vez, é levado ao bordel. Pelo contrário, na vida quo&amp;shy;tidiana de duas pessoas casadas, ou de dois amantes, pode haver uma passagem natural de uma actividade não erótica para uma erótica. An&amp;shy;tes conversam com os amigos, e pouco depois abandonam-se ao êxtase sexual na cama. E, noutras situações também, o acesso ao mun&amp;shy;do erótico, mais do que à transgressão dum tabu, pode assemelhar-se a uma saída da vida quotidiana.&lt;br /&gt;A saída pode ser mais ou menos drástica, mas trata-se sempre duma saída e é sempre de alguma forma transgressiva. Por isso, a literatura erótica, embora seja oficial, elogiada, galardoada, tornada objecto de estudos e conferências, constitui sempre um género à parte. Durante as conferências podem-se ler trechos desta literatura, mas o comentá&amp;shy;rio é feito com a linguagem científica ou literária do mundo quotidia&amp;shy;no. E não pode ser doutra maneira porque aquela literatura não pre&amp;shy;tende nem explicar, nem raciocinar, nem analisar, mas, pelo contrário, fazer com que o leitor mergulhe no mundo erótico, vivendo-o. Esta literatura leva-nos com ela, arrasta-nos para fora da realidade habitu&amp;shy;al para mergulharmos na realidade erótica, que nos faz ficar excitados, desejosos, vibrantes. Desta maneira, leva-nos a transgredir as regras da vida quotidiana, da sua esterilidade. Trata-se de um universo distinto que, porém, temos de abandonar logo, voltando à realidade de sempre, para discuti-la, analisá-la e até elogiá-la.&lt;br /&gt;Não há maneira de escapar a isso. Murray Davis, que tem utilizado ambas as linguagens misturando-as, nas primeiras páginas do seu livro pede desculpa ao leitor. «Sinto-me obrigado a passar de um registo a outro», diz, «produzindo uma sensação desagradável, uma dissonância. Tal como um adolescente que ainda não possui a sua própria tonalida&amp;shy;de de voz e começa primeiro como tenor, depois passa ao baixo e daqui ao soprano.»11&lt;br /&gt;O psicólogo Berne12, mais conformista e embaraçado do que ele, expulsa da sua própria exposição da sexualidade todas as palavras obs&amp;shy;cenas afirmando que são infantis e substitui-as por expressões próprias da linguagem quotidiana adulta e decorosa. Para escapar à acusa&amp;shy;ção de não ser científico, evita também todas as expressões poéticas. O resultado é que o seu livro é rigoroso, mas ao mesmo tempo banal. Não consegue provocar os desejos e as emoções que deveria analisar e explicar.&lt;br /&gt;Portanto, quem quer que pretenda escrever sobre erotismo tem de fazer uma escolha prévia. Se quiser evitar produzir sensações e emoções eróticas tem de utilizar as expressões científicas ou as da etiqueta quotidiana. Se, pelo contrário, quiser evocar as emoções eróticas e praticar a fenomenologia, a certa altura tem de deixar a linguagem científica e médica para usar expressões mais comuns, quotidianas, até ordinárias, mas capazes de evocar a experiência.&lt;br /&gt;Ao escrever Enamoramento e Amor 13 e A Amizade 14, eu próprio de&amp;shy;parei com um problema linguística.&lt;br /&gt;Vamos começar pelo primeiro livro. O meu caríssimo amigo Roland Barthes queria dissertar sobre o amor, mas dava-se conta de que, ao adoptar uma linguagem esterilizada, não teria conseguido comuni&amp;shy;car nada. Por isso, resolveu o problema escrevendo os Fragmentos de um Discurso Amoroso 15, ou seja, analisando alguns temas do ponto de vista fenomenológico com a ajuda de citações de poetas, escritores e ar&amp;shy;tistas. Pelo contrário, eu construí antes uma verdadeira teoria científica do enamoramento e depois, para a apresentar, utilizei a clássica lingua&amp;shy;gem amorosa. A urdidura teórica, o esqueleto, já _o tinha elaborado no livro Movimento e Istituzione16. Depois, porém, dei a este esqueleto mús&amp;shy;culos, nervos e sangue usando a linguagem da experiência amorosa. O êxito deste livro levou-me a utilizar o mesmo método para o estudo da amizade17. Com efeito, a amizade também possui uma estrutura pro&amp;shy;funda que permanece sempre idêntica, assim como tem uma lingua&amp;shy;gem específica que é a mesma desde Cicerone até Montaigne e Voltaire.&lt;br /&gt;Muitos foram os que julgaram que essa escolha linguística tinha sido feita com propósitos de divulgação. Nada disso; foi feita porque constitui a única maneira de desenvolver uma ciência que seja também uma fenomenologia das emoções. Só se pode obter este resultado se combinarmos a estrutura teórica com a linguagem específica de uma determinada experiência.&lt;br /&gt;No que diz respeito ao meu estudo do erotismo, o problema foi mais sério porque enquanto as linguagens do enamoramento e da amizade são unitárias, a do erotismo é estruturalmente dúplice e é construída com base numa polaridade que vai da linguagem obscena à amoro&amp;shy;sa e poética. Consegui sair disso evitando as referências explicitamente sexuais e utilizando sobretudo imagens e metáforas amorosas. Podia fazê-lo porque o objecto específico da obra era a diferença de sensibili&amp;shy;dade entre homem e mulher, e como a sensibilidade feminina conjuga mais profundamente sexo e amor, bastava eu apoiar-me mais no erotismo feminino do que no masculino. Neste livro, porém, já não posso evitar o problema. Tenho de o resolver com todo o arco da lingua&amp;shy;gem erótica, um continente imenso em que é necessário encontrar um princípio de ordenação.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1849608087029802002-8025736902052397247?l=com-mentatemplate.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://com-mentatemplate.blogspot.com/feeds/8025736902052397247/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1849608087029802002&amp;postID=8025736902052397247' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1849608087029802002/posts/default/8025736902052397247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1849608087029802002/posts/default/8025736902052397247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://com-mentatemplate.blogspot.com/2006/11/3-o-mundo-ertico.html' title='3. O mundo erótico'/><author><name>Erecteu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15619661863209832197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_aScwqnpZJuw/ReGsxmSAqoI/AAAAAAAAAd0/MhhzSZXqIHs/s400/mind.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1849608087029802002.post-4112066719699543117</id><published>2006-11-19T13:19:00.000Z</published><updated>2006-11-19T13:24:47.967Z</updated><title type='text'>2. Linguagem ordinária e científica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota prévia: Estimulado pelo forte interesse que o post anterior, verificável pela quantidade de comentários renovo que isto é um documento de reflexão pessoal. Se quiserem comentar todo o cuidado é pouco, coloquem  ou não,  a camisinha, ou o diafragma, tá?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murray Davis, no livro Smut5, evidenciou que, para nomear os ór&amp;shy;gãos e as actividades sexuais, existem duas linguagens completamen&amp;shy;te diferentes. Por um lado, a linguagem popular, ordinária, obscena; por outro lado, a linguagem oficial, culta, séria. Entre as duas, há um abismo. Ou falas uma ou falas outra, não podes misturá-las. De vez em quando, algumas palavras da linguagem ordinária penetram na lin&amp;shy;guagem séria e há palavras que cumprem o percurso inverso. Porém, uma vez realizada a passagem, pode usar-se só uma linguagem ou ou&amp;shy;tra, sem misturá-las. Com efeito, se ao usar o primeiro registo inserir&amp;shy;mos uma frase do segundo, ou vice-versa, obtemos um efeito grotes&amp;shy;co ou cómico.&lt;br /&gt;Davis observa que, na Idade Média, a Igreja condenava de maneira extremamente forte o sexo, mas chamava os órgãos e os actos sexuais com o nome corrente. Só depois, sobretudo nos séculos XVIII e XIX, as expressões populares são consideradas obscenas, tornam-se impro&amp;shy;nunciáveis, desaparecendo dos dicionários. Dois processos opostos produzem este resultado.&lt;br /&gt;O primeiro é levado a cabo por aqueles que querem abrir um espa&amp;shy;ço ao erotismo, fazer literatura erótica, como os libertinos, que o con&amp;shy;seguem eliminando as palavras ordinárias para eludir a censura. Em seu lugar introduzem imagens, metáforas que evocam a experiência erótica de uma maneira nova. Mais tarde, na época vitoriana procura&amp;shy;-se eliminar qualquer possível referência ao sexo seja qual for a forma sob a qual este se apresente. Tudo o que diz respeito ao sexo é omiti&amp;shy;do ou substituído por alusões e metáforas cada vez mais afastadas do objecto. Até a gravidez se torna «estado interessante».&lt;br /&gt;O segundo processo produz-se no século XIX com a medicalização do sexo. A anatomia dá um nome exacto aos órgãos sexuais e às suas partes, enquanto o nome ordinário os indica de maneira global. Dis&amp;shy;tingue-se o monte de Vénus, a vulva com os grandes e pequenos lá&amp;shy;bios, o clítoris, a secreção das glândulas de Bartolini, a vagina, o colo do útero, etc. Por outro lado, o escroto, as gónadas, a próstata, as vesí&amp;shy;culas seminais, o pénis, a glande, o prepúcio, o esperma. Surge, entre&amp;shy;tanto, a sexologia como disciplina científica separada e são descritas e omeadas com cuidado as várias actividades sexuais e as «perversões». Datam dessa época expressões como coito, cunilingua, felação, escop&amp;shy;tofilia, coprofilia, onanismo, sadismo, masoquismo, feticmsmo, urofi&amp;shy;lia, mpoxifilia, etc. Outros contributos são oferecidos pela antropolo&amp;shy;gia, que põe em evidência as diferenças entre costumes e a moralidade sexual nas populações a nível etnológico.&lt;br /&gt;Surgiu assim uma linguagem científica internacional as séptica, que tem permitido nomear, descrever e analisar os comportamentos se&amp;shy;xuais sem estimular a emoção provocada pela linguagem ordinária, emoção esta que pode ser de excitação, desgosto ou recusa, mas que é sempre intensa.&lt;br /&gt;Porque é que esta dicotomia radical existe? Porque será que a lin&amp;shy;guagem popular, ordinária, soa obscena, mas, ao mesmo tempo, pro&amp;shy;duz excitação sexual aproximando-se da pornografia, enquanto a lin&amp;shy;guagem médica é exacta, permite indicar qualquer coisa sem provocar nenhuma emoção erótica?&lt;br /&gt;No seu conhecido livro Sex in Human Loving, Eric Berne explica a linguagem ordinária conforme o modelo psicanalítico clássico: esta de&amp;shy;riva da infância, das experiências desgostosas experimentadas pessoal&amp;shy;mente ou inculcadas pelos pais durante a infância. «Uma palavra torna&amp;shy;-se obscena quando a imagem que a acompanha é primária [da primeira infância] e repugnante.»6 Dado que cada geração vive na infância es&amp;shy;pecíficas experiências repugnantes, «mesmo se os adultos cancelassem toda a linguagem obscena do seu vocabulário, esta voltaria a aparecer com a geração seguinte».&lt;br /&gt;Respondemos a esta observação psicanalítica de Berne lembran&amp;shy;do que as crianças aprendem a linguagem obscena graças aos miúdos mais velhos e aos próprios adultos. Aprendem-na porque designa as partes do corpo e os actos sexuais dos quais, porém, os adultos logo proíbem falar. Portanto eles percebem que se trata de palavras e coi&amp;shy;sas proibidas e é para violar o tabu dos adultos, para transgredirem a ordem deles, que utilizam essas palavras, primeiro às escondidas, de&amp;shy;pois de maneira manifesta. A revolução sexual dos anos 60-70 adop&amp;shy;tou explicitamente esta linguagem com o intuito de uma revolta ofen&amp;shy;siva. E utilizou da mesma forma e com a mesma função a blasfémia, a imprecação ou a obscenidade dirigida à divindade. Lembro-me de qué durante os dois anos em que fui reitor da Universidade de Trento, um centro do movimento estudantil italiano, muitos estudantes (não os li&amp;shy;deres, que usavam uma linguagem marxista) não conseguiam dizer três palavras sem interpor uma obscenidade ou uma blasfémia. Neste caso, a linguagem sexual obscena não tinha nenhuma função de evocação erótica, mas de mera transgressão, de ofensa à ordem constituída, à re&amp;shy;ligião, ao Estado.&lt;br /&gt;Diversamente de Berne, Bataille afirma que a obscenidade é parte integrante do erotismo porque este é, na sua essência, transgressão, ex&amp;shy;cesso, fragmentação da ordem social e do trabalho. Despedaça o indiví&amp;shy;duo socializado, dissolvendo a sua consciência, e liberta a carne e a sua convulsão cega. Quem é tomado pelo frenesi erótico já não é humano, tornando-se, à maneira das bestas, desenfreadamente cego. Por isso, mesmo os amantes pudicos - observa - respeitosos dos tabus, para excitar-se, para viver até ao fundo uma experiência erótica desenfrea&amp;shy;da, utilizam palavras ordinárias, obscenas, violando o próprio moralis&amp;shy;mo. O erotismo é portanto sempre laceração, despedaçamento, profa&amp;shy;nação do tabu, dos costumes, da linguagem. A sua palavra, a palavra da excitação erótica, por consequência, é sempre obscena, ordinária.&lt;br /&gt;Com base no relatório Kinsey7, ele observa que o mínimo da activi&amp;shy;dade sexual é levado a cabo por quem exerce uma profissão regular, en&amp;shy;quanto o máximo é atingido pelas pessoas do mundo do crime, que con&amp;shy;trolam os night clubs, os jogos de azar, a prostituição. Isto é, por quem estámais longe do trabalho quotidiano, monótono, disciplinado e mais perto da violência, do arbítrio. É do mundo do crime e da prostituição que pro&amp;shy;vém a linguagem obscena, porque é a linguagem do ódio e da profanação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há a mínima dúvida de que a linguagem obscena possa incor&amp;shy;porar em si a violência da transgressão juvenil da ordem dos adultos, a do mundo do crime, a revolucionária dos movimentos e das revolu&amp;shy;ções. Após a batalha de Carberry Hill, Maria Stuart ficou prisioneira dos lordes escoceses e o povo que se levantou contra ela seguiu-a até Edimburgo com um coro de insultos obscenos, dos quais o mais leve foi «puta católica»8. Durante a Revolução Francesa, o processo, a con&amp;shy;denação e a viagem final para a guilhotina eram sempre acompanhados de coros terríveis de obscenidades. Porém, há também a violência do mndo do crime, o qual, além de rapinar, torturar, matar, ao mesmo tempo controla o sexo clandestino, a prostituição, a pornografia e por&amp;shy;tanto cria e dirige os espaços de desenfreamento sexual de que bene&amp;shy;ficiam os seus membros e que são vendidos às pessoas sérias que de&amp;shy;sejam «baldar-se ao trabalho e à família». E, ao fazê-lo, o mundo do crime tem uma relação mais violenta com a própria sexualidade, por exemplo, maltrata brutalmente as mulheres que usa como instrumen&amp;shy;tos e despreza o cliente de que se aproveita.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1849608087029802002-4112066719699543117?l=com-mentatemplate.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://com-mentatemplate.blogspot.com/feeds/4112066719699543117/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1849608087029802002&amp;postID=4112066719699543117' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1849608087029802002/posts/default/4112066719699543117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1849608087029802002/posts/default/4112066719699543117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://com-mentatemplate.blogspot.com/2006/11/2-linguagem-ordinria-e-cientfica.html' title='2. Linguagem ordinária e científica'/><author><name>Erecteu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15619661863209832197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_aScwqnpZJuw/ReGsxmSAqoI/AAAAAAAAAd0/MhhzSZXqIHs/s400/mind.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1849608087029802002.post-4960757300869552545</id><published>2006-11-18T09:20:00.000Z</published><updated>2006-11-18T12:06:12.863Z</updated><title type='text'>1. Sexualidade e amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Nota prévia: Aconselha-se firmemente a quem tem certezas na utilização do genital ou a quem é estruturalmente seguro nos afectos a não prosseguir a leitura deste texto sacado directamente de Amor e Sexo, digo, "Sexo e Amor" de Francesco Alberoni.&lt;br /&gt;Isto é um documento de reflexão pessoal. Se quiserem comentar todo o cuidado é pouco. Coloquem a camisinha, ou o diafragma, tá?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;CAPÍTULO 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A COMPLEXIDADE DO EROTISMO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Sexualidade e amor&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger2/1042/225782237186255/1600/851082/Digitalizar0002.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger2/1042/225782237186255/400/479627/Digitalizar0002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na alma humana actuam impulsos contrastantes que criam dúvi&amp;shy;das, dilemas e levam a agir de maneira contraditória. Duas destas ten&amp;shy;dências, que podem entrar em conflito, reconciliar-se ou chocar-se de novo ao longo da nossa vida, são a sexualidade e o amor. Muitas ve&amp;shy;zes não nos apercebemos disso, porque sexualidade e amor nos pa&amp;shy;recem frequentemente fundidos, ou porque em muitos casos o amor nasce da sexualidade. Porém, a razão principal dessa confusão é outra: no último século tem prevalecido uma escola de pensamento, nomea&amp;shy;damente a psicanálise, que tende a associar o prazer, o amor e o sexo. É de natureza sexual, pertence à sexualidade oral, o prazer da criança que, pegada ao mamilo, suga o seio. É de natureza sexual, pertence à sexualidade anal, o prazer de relaxar os esfíncteres no acto da defeca&amp;shy;ção. Trata-se de formas de sexualidade pré-genital que continuam na vida adulta mesmo depois de se ter imposto o primado da sexualidade genital. Mas têm origem sexual não apenas os prazeres, como também os sentimentos da criança em relação à mãe. É de natureza sexual a ale&amp;shy;gria, a felicidade que a criança sente quando, depois de ter procurado a mãe, corre angustiada para os braços dela e adormece docemente so&amp;shy;bre o seu seio. É sexual o desejo que sinto ao observar uma bailarina, o que se faz com uma prostituta, a paixão que sinto pela minha namora&amp;shy;da, o desejo espasmódico de vê-la quando estou longe, a alegria de ou&amp;shy;vir a voz dela que me diz «amo-te». Enfim, tudo é sexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demasiadas coisas juntas. Depois de um século de adesão quase unânime a esta tese, embora reconhecendo a Freud o imenso mérito de ter entendido a importância da sexualidade na vida humana, che&amp;shy;gou a hora de voltarmos a estabelecer algumas distinções elementares. Mesmo considerando apenas o adulto e aquilo que Freud designa de sexualidade genital, há sempre uma diferença entre a união pressurosa, a passagem por curiosidade de uma cama para outra, a paixão desespe&amp;shy;rada pelo nosso amado ou pela nossa amada e a ternura que sentimos pelo nosso filho ou pela nossa filha.&lt;br /&gt;Existe uma sexualidade imbuída de amor e outra que não tem nada que ver com este, que, bem pelo contrário, é a antítese dele, como a violação, sobretudo aquela que ocorre em caso de guerra ou saque. Nas guerras antigas, a cidade conquistada era saqueada, os homens, in&amp;shy;clusive as crianças, eram mortos e as mulheres, violadas. Ainda no sé&amp;shy;culo passado, os soldados alemães das SS usaram como prostitutas as raparigas judias antes de as matarem, e os soldados russos que avan&amp;shy;çavam para Berlim violaram centenas de milhares de mulheres alemãs que fugiam perante eles.&lt;br /&gt;Existem formas de sexualidade não violenta totalmente separadas do amor, como aquela impessoal da orgia, na qual se têm relações se&amp;shy;xuais indistintamente com um e com outro. Enfim, temos casos em que o desejo sexual não se harmoniza com quem amamos, mas põe&amp;shy;-nos em conflito com ele.&lt;br /&gt;A sexualidade, como nos lembra Bataille1, é devassidão, transgres&amp;shy;são das regras, dos tabus, da ordem do dever quotidiano. Vive no pre&amp;shy;sente. É capricho, dissipação, esquecimento dos deveres, das preocu&amp;shy;pações. Para o adulto, é o máximo do jogo, também do ponto de vista do desencadeamento do corpo. O desporto requer disciplina, regra. Só a dança consegue ser espontânea, mas não chega aos excessos do ero&amp;shy;tismo. A sexualidade, por isso, parece mais adequada para romper as relações do que para as criar. Contudo, mesmo o grande amor, o amor apaixonado do enamoramento que estabelece laços emotivos fortís&amp;shy;simos e novas regras de vida, nasce frequentemente da sexualidade e constitui o seu triunfo.&lt;br /&gt;N o livro Amo-te 2 distingui os laços emotivos em frágeis, médios e fortes. Laços frágeis são os que temos com conhecidos, vizinhos, colegas. Mas também. os que temos com uma prostituta ou que estabele&amp;shy;cemos com uma pessoa com a qual temos relações sexuais ocasionais. A mera relação sexual, sem mais nada, não estabelece laços fortes. En&amp;shy;tre os Laços médios lembramos os que temos com os amigos. Nós abri&amp;shy;mo-nos com eles, confiamos neles, recorremos à sua ajuda. Mas, di&amp;shy;versamente da mãe que continua a amar o filho mesmo quando ele se porta mal, quando o amigo nos mente ou nos atraiçoa, a relação rom&amp;shy;pe-se. São médios também os laços eróticos que duram enquanto nos dão prazer, e que se desvanecem perante a primeira dificuldade ou de&amp;shy;sacordo. São, pelo contrário, Laços fortes aqueles que se estabelecem en&amp;shy;tre filhos e pais e entre pais e filhos. Com efeito, resistem a desilusões, aflições e amarguras. São fortes também os laços criados pelo enamo&amp;shy;ramento, porque continuamos a amar mesmo quem nos faz sofrer. Enfim, é um laço forte o amor consolidado de uma vida vivida em co&amp;shy;mum, em que cada um se tornou indispensável para o outro, tanto que, quando um deles morre, o outro muitas vezes morre também.&lt;br /&gt;Os antropólogos, após terem estudado os costumes sexuais e ma&amp;shy;trimoniais de centenas de sociedades e culturas, chegaram à conclu&amp;shy;são de que na nossa espécie há uma forte tendência para a monoga&amp;shy;mia, a exclusividade amorosa e sexual. Porém, ao mesmo tempo, em todas as sociedades, existe também um certo grau de infidelidade con&amp;shy;jugal, seja en..tre os homens, seja entre as mulheres. Existem portanto em nós duas tendências, dois desejos básicos simultâneos e em confli&amp;shy;to entre eles. O desejo que nos impele para uma pessoa especial, única, inconfundível, com a qual estabelecemos um laço amoroso duradou&amp;shy;ro e da qual temos ciúmes. O outro é um impulso de exploração que nos impele a todos, homens e mulheres, à procura de encontros eróti&amp;shy;cos e relações com novas e diferentes pessoas. Os dois impulsos coin&amp;shy;cidem apenas no enamoramento, porque este se dirige a uma pessoa nova, mas estabelece um laço de exclusividade. É por isso que o ana&amp;shy;lisei com tanta atençã03. Com efeito, depois de Stendhal\ tinha sido posto de lado. O enamoramento escapava a qualquer tentativa de ex&amp;shy;plicação por parte da psicanálise. Aliás, a tradição científica dominan&amp;shy;te, a anglo-saxónica, subestima-o, ignora-o, considera-o um fenómeno cultural temporário, ao ponto de não utilizar sequer um vocábulo para o designar, chamando-o ainda romantic love, como se tivesse nascido noséculo XIX, enquanto é suficiente ler a Bíblia para o encontrar em tem&amp;shy;pos mais remotos.&lt;br /&gt;No domínio das relações entre sexo e amor, o enamoramento exalta e funde o máximo da sexualidade e o laço amoroso mais forte. A sexua&amp;shy;lidade preserva o seu carácter desregrado, explosivo. Porém, o enamo&amp;shy;ramento não se reduz a um enorme prazer sexual. É uma renascença, é juventude, excesso, êxtase. Rompe os laços anteriores, suspende a lei, instaurando o seu próprio direito soberano. Transfigura o mundo, põe&amp;shy;-nos em contacto com as fontes profundas do ser e cria um laço forte, duradouro, exigente. A mulher apaixonada antepõe o amado ao pai, à mãe, à celebridade preferida. O homem vê a sua namorada como a mais sedutora de todas as hierodulas, a mais erótica de todas as cortesãs.&lt;br /&gt;Porém, ao insistir demais no enamoramento, acaba-se por pôr em segundo plano e subestimar a importância de outras experiências eró&amp;shy;ticas e da sexualidade em si mesma. Os dois impulsos de que falei, aquele que nos liga a uma pessoa e aquele que nos leva à procura do diferente, nunca desaparecem, e se num dado momento prevalece o primeiro, logo pode prevalecer o segundo, ou até podem manifestar-se ambos ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Com base nestas considerações, julgo ter chegado o momento de estudar de maneira mais aprofundada e sistemática a grande variedade de relações entre sexualidade e amor.&lt;br /&gt;Primeiro a sexualidade violenta, depois aquela em que o outro na sua integridade nem sequer existe, ou seja, a sexualidade impessoal. A seguir, a sexualidade em que o outro está presente como indivíduo, mas ainda não há amor. Depois, as relações sexuais mais ou menos duradouras, até ao caso do enamoramento e do amor que dura. Por último, o processo de «deserotização» da relação nascida do enamo&amp;shy;ramento. Isto porque, passado algum tempo, a fusão entre amor e se&amp;shy;xualidade enfraquece ou quebra-se. As duas tendências, que se tinham fundido, separam-se e podem entrar outra vez em conflito. O marido, embora continuando a gostar da sua mulher, deixa-se facilmente atrair sexualmente por outras mulheres. A mulher, mesmo continuando a gostar do marido, deixa-se tentar por uma aventura sexual.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1849608087029802002-4960757300869552545?l=com-mentatemplate.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://com-mentatemplate.blogspot.com/feeds/4960757300869552545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1849608087029802002&amp;postID=4960757300869552545' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1849608087029802002/posts/default/4960757300869552545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1849608087029802002/posts/default/4960757300869552545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://com-mentatemplate.blogspot.com/2006/11/templat.html' title='1. Sexualidade e amor'/><author><name>Erecteu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15619661863209832197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://bp1.blogger.com/_aScwqnpZJuw/ReGsxmSAqoI/AAAAAAAAAd0/MhhzSZXqIHs/s400/mind.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
